sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma Fábula Chatinha

Sentado à beira do caminho, o homem cansado ficou quieto, espiando a vida que passava.
Era uma vez um homem cansado que ia indo por um caminho. Tinha passado do meio-dia, a tarde estava ficando muito quente. No ar azul e claro não soprava nenhum vento, O homem procurou a sombra de uma árvore, sentou e ficou ali, quieto.
Até que passou um surfista. Ia de moto, sem camisa, a bermuda colorida, a prancha amarrada na garupa da moto. Abanou para o homem sentado, mas ele não se mexeu.
“Coitado” — pensou o homem. — “Vai indo assim todo animado. Parece que não sabe que vai morrer um dia.”
Remexeu a areia com um pedacinho de pau, mas sem prestar atenção. Então passou uma velhinha que parecia saída de um livro de histórias infantis. Usava um vestido escuro, comprido, e carregava no ombro uma dessas latas de metal, cheia de leite. Caminhava muito depressa.
“Coitada” — pensou o homem. — “Velha desse jeito, pra que tanta pressa? A morte vai chegar logo — e aí?”
Acendeu um cigarro, ficou soltando anéis de fumaça contra o céu cada vez mais azul. Aí passaram duas moças de braço dado. Parecia que recém tinham tomado banho, tão fresquinhas estavam. Os cabelos ainda molhados brilhavam ao sol. Cochichavam e riam muito, olhando o homem sentado, que nem olhava para elas.
“Coitadas” — o homem pensou. — “Tão assanhadinhas. Ah, se elas soubessem que a morte existe e pode chegar a qualquer momento...”
Ficou um rastro de perfume no ar, mas ele nem respirou mais fundo nem nada. De repente um passarinho começou a cantar, no galho bem acima dele. Ouviu um pouco, depois cuspiu de lado.
“Coitado” — o homem pensou. — “Esse idiotinha fica cantando à toa, de repente vem um moleque, joga uma pedra e pronto, acabou.”
Estendeu as pernas, mas logo as recolheu assustado. De longe, vinha um barulho forte como o de um exército em marcha. O homem fixou bem os olhos na curva da estrada. Até que apontou um elefante lá longe. Depois vieram tigres, macacos, camelos, mágicos, equilibristas: era um circo passando. Os palhaços fizeram micagens especiais para ele, mas o homem não deu atenção. A bailarina, equilibrada num pé só sobre o pônei branco, jogou uma rosa vermelha de tule a seus pés, mas ele não apanhou.
“Coitados” — pensou o homem. — “Quanta ilusão. Um dia o circo pega fogo, a morte chega e de que serviu essa alegria toda?”
Com a ponta do pé, empurrou para longe a rosa vermelha. Nesse momento, ia passando um casal de namorados. O rapaz pegou a rosa, sacudiu para afastar a poeira, depois colocou-a nos cabelos da moça. Ela sorriu, e agradeceu com um beijo. Ele respondeu com outro, ela com outro — e assim foram indo, aos beijos, até sumirem.
“Coitados” — pensou o homem. — “Amor, amor: não tem besteira maior. Casam, têm filhos, ficam velhos, doentes. Um dia morrem e pronto.”
A tarde quase já tinha virado noite, quando um vulto encapuzado veio se aproximando. Ele precisou apertar os olhos para ver melhor. Mesmo assim, não via direito a cara do vulto que se aproximava cada vez mais, até parar bem na frente dele.
— Quem é você? — o homem perguntou. A figura afastou o capuz, mostrou os dentes arreganhados e disse:
— Sou a Morte. Posso sentar ao seu lado?
O homem deu um pulo.
— Não — ele disse. — Já está ficando tarde e eu ainda tenho muito o que fazer.
Virou as costas e saiu correndo, sem olhar para trás.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


No ponto entre a curiosidade e a conclusão decepcionante! Ou paro agora e perdoo sem ir a fundo, ou mergulho tão profundamente sem volta.

domingo, 28 de agosto de 2011

Eu poderia ter te amado pra sempre


segunda-feira, 4 de julho de 2011

A primeira matéria de um foca

O gravador parou. Minha mente trabalhava na velocidade da luz. A mão,
por sua vez, tentava incansavelmente seguir o pensamento. Sabe aquele
frio na barriga? Aquele que acompanha seus maiores sonhos? Ele estava
ali. Da mesma forma que o dicionário de português sobre a mesa, o
manual do foca, o Google, o café com aquele típico odor viciante e
toda a minha transpiração por escrever uma matéria que emplacasse na
mídia.

Lembro-me bem das críticas construtivas de grandes mestres que tive o
prazer de chamar de professor. Lembro-me também dos puxões de orelha,
dos textos mal escritos e das teimosas vírgulas que se espalhavam
erroneamente nas frases. Em suma, todo aquele árduo trabalho de
aperfeiçoamento valeu o esforço. Sou jornalista.

Envolto em pensamentos, a caneta corre, a mão corre, a mente divaga na
melhor sobreposição de ideias e léxicos simples. Será que estou sendo
conciso e claro o suficiente? A borracha entra em ação. Engraçado
estar sentado ali, sob o olhar dos jornalistas veteranos. Vê-los
escrever me transporta para um mundo em preto e branco, jamais brando,
jamais neutro, mas quase perfeito. Alguém me cutuca: “Foca, o chefe me
pediu para avisá-lo sobre o seu deadline, ele está mais apertado.
Talvez seja necessário um pescoção”. Um sorriso nervoso e teimoso se
fixa em minha face, tal como o pensamento “pseudopositivo”: um
pescoção e um voto de confiança do diretor ou o meu próprio pescoço em
uma bandeja de garçom.

Lembro-me dos prazos da faculdade, dos trabalhos em grupo e
individuais. De Max Webber, Karl Marx, João Batista Natali, José
Hamilton Ribeiro, entre tantos outros grandes mitos do jornalismo. E
quanto a mim? Será que, num futuro próximo, estarei estampado em algum
best-seller do tipo: “A História de um Foca de Sucesso”, “As
Peripécias de um (des)focado” ou “O Foca de Neve e os Narizes de
Cera”? Continuo escrevendo a matéria, envolto em pensamentos.

É engraçado observar certas particularidades do mundo da comunicação.
Estamos em constante rotatividade no mercado e, sinceramente, ele
exige do jornalista cada vez mais e, infelizmente, paga cada vez
menos. O que sobra de tudo isso é o amor à profissão que não exige
diploma. Assessoria, impresso, web, telejornalismo. Todos nós lutamos
por um mundo melhor, utópico para os veteranos, mas para mim isso
ainda continua muito latente.

Desta vez o telefone toca: “Foca, pois não?”. Uma voz conhecida do
outro lado da linha: “Oi, querido, consegui o telefone pela editoria
de cultura. Comeu direitinho?”.

Era a senhora minha mãe.

Após fingir se tratar de um assunto de extrema importância, desliguei.
Dessa vez o meu pescoço quase caiu, ruborizado. Lembrei-me do filme
“Jogue a mamãe do trem”. Sorri. Continuei escrevendo.

Brincadeiras à parte, cafés à parte, suadouro de todo e qualquer
novato em sua primeira matéria: lá estava ela. Com um formato limpo,
claro, desenrolado. Um corpo lindo de matar. Era a musa da minha vida
e melhor, quase pronta para ir à sala do Revisor. Uma pincelada aqui,
um bordado ali, uma costurada na fala de fulano e, pronto! Paixão
avassaladora. Mal podia acreditar que depois de todo um expediente
puxado resultasse uma matéria tão bem escrita. Quase fui aos prantos.
É sério.

Já na sala do Diretor, sentei-me em sua frente e não consegui segurar
os pequenos espasmos imperceptíveis e calafrios microscópicos. Na sala
éramos três: eu, o Diretor e o maldito frio na barriga. O seu olhar
compenetrado sobre a matéria durava uma eternidade, maior até que o
tempo que tive para escrevê-la.

Por fim, o feedback:

— Foca, a matéria está linda! Sublime! Vamos publicar, sim. Parabéns,
garoto, você vai longe.

Fechei os olhos por um instante e nesse pequeno espaço de tempo, entre
o fechar e o abrir dos olhos, senti o frio na barriga se esvaindo de
mim e deixando apenas o gosto de missão cumprida. A saliva pesava na
boca da mesma forma que a palavra “sublime” latejava em minha mente. A
matéria seria publicada.

Desde então, meu gravador jamais parou.




Por Ana Paula Guedes

*Foca, em linguagem jornalística, é o jornalista bem no início de
carreira, recém-saído da faculdade.

**Pescoção, no universo das redações, é a jornada dupla de
sexta-feira, quando, além do jornal do sábado, os jornalistas também
precisam finalizar a edição de domingo. O expediente normalmente se
estica longamente madrugada adentro, daí a expressão.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

(I CAN’T GET NO) SATISFACTION

Como explicar essa sensação? Esse vazio no peito? Essa sensação que sua vida está incompleta?
Dia após dia, você acorda, vê os mesmos rostos, faz as mesmas coisas, do mesmo jeito, frequenta os mesmos lugares.
Não que não esteja feliz, felicidade é outra coisa. Mas o que eu quero lhe dizer, caro leitor, é de satisfação.
De que está fazendo a coisa certa, de conseguir algo... tudo caiu em rotina.
Minha vida é uma eterna rotina.
É tão errado assim ansiar por essa agitação de querer deixar essa valsa mais rock n’ roll?
Sempre tive essa ambição. Ambição por satisfação.

(pausa no texto, estava escutando “Rolling Stones” agora... rs)

Continuando... Não sei mais o que escrever por hoje! Talvez seja apenas tédio, talvez não.

Pronto, é isso!
FIM.

sábado, 18 de junho de 2011

Pop Up

O PROGRAMA POP UP É UM PROJETO PILOTO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE ORLANDO OLIVAS (@juniortidus) E DÉBORA KAORU (@dekaoru), ESTUDANTES DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS



Neste bloco apresentamos o Centro Cultural de Suzano (onde todo o programa foi gravado), abordaremos a influência da internet na vida dos jovens (com opinião deles e de uma psicóloga) e também sobre a fama instantânea na internet (entrevista com a banda 2ois e com Phelipe Cruz, jornalista por trás do blog Papel Pop). Além disso, uma entrevista exclusiva com a webstar Ximbica.



Já neste bloco abordamos a internet e o cenário alternativo. Entrevista com Asuka (do blog Roxy Style) e a apresentadora Marimoon. Também ouvimos a opinião da galera sobre o tema, falamos de YOUPIX e apresentamos a agente cultural do Pop Up. De quebra, uma entrevista exclusiva com a cantora Megh Stock.




No último bloco, uma entrevista com a vocalista da banda belga Vive la Fête, Els Pynoo. Quadro "Vai Com Fé" com Eduardo Zugaib, Lady GaGa e X-Men Primeira Classe. E pra fechar com chave de ouro, uma palinha da música nova de Megh Stock, "Em Voz Alta", especialmente pra o Pop Up.


---------
ATUALIZAÇÃO DIA 22/06: DIVULGADA A NOTA DO TCC = 10

domingo, 12 de junho de 2011

Apresentando o Pop Up

Vídeo de apresentação do Piloto do Programa Pop Up com embasamento de vários profissionais e pesquisa de campo. Entrevista com os jornalistas Orlando Olivas, Débora Kaoru, Soninha Francine, Lenina Velloso e o historiador Leandro Bassini.





Produção: Orlando Olivas e Débora Kaoru
Narração: Mirielly de Castro
Texto e Edição: Orlando Olivas e Débora Kaoru
Revisão: Saulo Tiossi
Edição de Imagem: William Pacheco
Arte: Marcelo Carloni

sábado, 4 de junho de 2011

Making Of do TCC *_*